Sábado, 25 de Agosto de 2007

DUBAI - Cidade Relâmpago IV

“Convidados de um casamento colectivo. O governo financia estes eventos para encorajar a união entre naturais da cidade, pois os estrangeiros encontram-se em maioria numa proporção de oito para um.”

“Convidados de um casamento colectivo. O governo financia estes eventos para encorajar a união entre naturais da cidade, pois os estrangeiros encontram-se em maioria numa proporção de oito para um.”

 

Um assunto delicado tem sido a discussão sobre quem de facto trabalha arduamente, contribuindo para o progresso do Dubai. Demograficamente, o Dubai não parece ser uma Cidade-Estado árabe: menos de um em cada oito dos residentes do país são cidadãos dos Emirados, e trabalhadores convidados do sul da Ásia constituem mais de 60% da população. Indianos com elevado nível de habilitações, vivem confortavelmente no Dubai, e alguns enriqueceram. "O Dubai é a melhor cidade da Índia", gracejam os afortunados. Para outros, contudo, o Dubai é um beco sem saída.

 

“Mais de metade da população reside em acampamentos como este, onde os operários repousam em dormitórios sobrelotados. A maioria deve dinheiro da viagem para o Dubai. Muitos esperam meses até receberem o salário; alguns nunca chegam sequer a vê-lo.”

“Mais de metade da população reside em acampamentos como este, onde os operários repousam em dormitórios sobrelotados. A maioria deve dinheiro da viagem para o Dubai. Muitos esperam meses até receberem o salário; alguns nunca chegam sequer a vê-lo.”

 

A agitação de trabalhadores nos bairros pobres onde vivem dezenas de milhares de empregados temporários, é uma constante. As barracas ficam no meio de deteriorados prédios baixos, as ruas são de terra e cascalho, cheias de lixo. Os homens de tez morena, vestidos com camisas de alças, calças largas e chinelas de plástico, participam constantemente em greves, estão fartos de ser mal tratados e viverem em condições "sub-humanas", segundo a organização Humans Rights Watch, cada trabalhador médio do Dubai ganha cerca de 3.8€ por dia, trabalhando em turnos de 12 horas sob um calor abrasador.

Segundo a Human Rights Watch, em 2004, registou-se a morte de 900 operários da construção civil do Dubai, onde já estavam incluídos os óbitos por insolação.

 

“Para os trabalhadores de classe social mais baixa, como estes homens do sul da Ásia que apanham o hidrotáxi para chegar ao trabalho, a vida no Dubai pode tornar-se uma escravidão.”

“Para os trabalhadores de classe social mais baixa, como estes homens do sul da Ásia que apanham o hidrotáxi para chegar ao trabalho, a vida no Dubai pode tornar-se uma escravidão.”

 

Sabe-se que muitos dos trabalhadores, estão “presos” no Dubai, Não têm como partir, Endividaram-se com agentes sem escrúpulos que lhes cobraram honorários exorbitantes pelos vistos de trabalho, antes de saírem dos seus países. "Se eu não tivesse de saldar a minha dívida, voltaria hoje", "Não temos nada", poderiam perfeitamente ser, as palavras de ordem de um qualquer trabalhador de baixa estatura e rosto encovado, oriundo da província indiana de Kerala. "Temos uma vida de pesadelo aqui, e ninguém se importa."

 

Reagindo a esses abusos e à má publicidade que eles geram, o governo anunciou recentemente que permitiria a sindicalização dos operários e ordenou aos empreiteiros que interrompam os trabalhos nas obras, quatro horas por dia nos períodos de maior calor durante os meses de Julho e Agosto.

 

“O Palmar Jumeirah - ilha artificial em forma de palmeira projecta-se audaciosamente no Golfo Pérsico. A “oitava maravilha do mundo” duplicou a orla costeira do Dubai em 70Km, ... mas também alterou significativamente o ecossistema costeiro.”

“O Palmar Jumeirah - ilha artificial em forma de palmeira projecta-se audaciosamente no Golfo Pérsico. A “oitava maravilha do mundo” duplicou a orla costeira do Dubai em 70Km, ... mas também alterou significativamente o ecossistema costeiro.”

 

Não terminam aqui os problemas de Dubai. Criar ilhas artificiais, ainda que extravagante, é brilhante no aspecto comercial, - na região das docas, o preço dos imóveis varia entre os 5.3 e 23 milhões de euros - mas nesse processo, segundo os ambientalistas, o Dubai matou os recifes de coral, destruiu os locais de nidificação de tartarugas e desestabilizou a ecologia marinha da região ocidental do golfo Pérsico. E, por trás dos arranha-céus resplandecentes, esconde-se um mundo nocturno de hotéis baratos, prostitutas, máfias indiana e russa, lavagem de dinheiro e contrabando de armas, diamantes e outros artigos, inclusive seres humanos.

 

Parte IV - Dubai, cidade relâmpago.

publicado por: Pangea às 12:42
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Segunda-feira, 18 de Junho de 2007

DUBAI - Cidade Relâmpago III


“Do 44.º andar de um arranha-céus que irá transformar-se no edifício mais alto do mundo, Mohammad Ali Alabbar, director de desenvolvimento económico de Dubai, observa a “baixa” de Dubai. Programado para estar concluído no próximo ano, o Emaar Burj Dubai incluirá apartamentos, escritórios, e um hotel Armani. Nos últimos 30 anos os responsáveis do Dubai construíram em “grande” e depressa, usando o dinheiro do petróleo. Algures no Golfo Pérsico, em redor do porto de pescas, assiste-se ao crescimento do Centro de Negócios, instituições bancárias, comércio.”

 

Contrastando com os tradicionais autocratas do Oriente Médio, o xeque Mohammed administra o Dubai como um competente director-geral. Além de uma agenda bastante preenchida com compromissos públicos, é frequentemente visto ao amanhecer, a fazer visitas nas zonas em construção do Dubai, tal como o seu pai o fazia. Às vezes aparece de surpresa nos locais das obras, faz perguntas incómodas, despede os maus gerentes no local e recompensa os trabalhadores mais esforçados.

 

Mohammad Alabbar é um exemplo, cresceu, como muitos cidadãos do Dubai, numa tenda feita de folhas de palmeira. O seu pai sustentava a mulher e os 12 filhos com uma rede de pesca. Em 1966 descobriu-se petróleo no Dubai, e Alabbar foi para uma universidade dos Estados Unidos com uma bolsa de estudos paga pelo governo com receitas do petróleo. (Embora no início fossem uma riqueza, as modestas reservas de petróleo do Dubai hoje, representam apenas 6% do PIB.) Depois de se formar, Alabbar impressionou decisivamente o xeque Mohammed durante os seis anos que passou a trabalhar em Singapura, transformando empresas estagnadas em prósperos negócios. O êxito granjeou-lhe o cargo de director de desenvolvimento económico do Dubai, função em que demonstrou a sua capacidade para impulsionar o comércio, eliminando a burocracia administrativa. O governo recompensou-o com a concessão de terras a baixo ou nenhum custo, e ele começou a construir.

 

Alabbar viaja pelo mundo num jacto privado e supervisiona a Emaar, uma das mais ricas empresas de desenvolvimento imobiliário do mundo e responsável pelas obras do edifício Burj Dubai, uma colossal estrutura em forma de torpedo, que será o edifício mais alto do planeta quando for concluído em 2008. Sem esquecer as origens, é com humildade que transmite aos jovens que se trabalha árduamente para chegar até aqui e que ainda há muito por fazer.

 

Parte III - Dubai, cidade relâmpago.
publicado por: Pangea às 19:36
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Domingo, 17 de Junho de 2007

DUBAI - Cidade Relâmpago II

 

“As mulheres de executivos de empresas de construção civil passam grande parte dos dias na praia. Desfrutando dos prazeres da vida, alguns cidadãos estrangeiros assistem a um jogo de pólo no Arabian Ranches , um projecto imobiliário concebido para os mais endinheirados, atraídos ao Dubai por empregos bem pagos, status social e custo de vida relativamente barato.”

 

O Dubai gera pressão sobre o resto do mundo árabe e muçulmano. Os cidadãos começa a perguntar aos seus governos: se Dubai consegue, por que é que nós não conseguimos?".

 

Não existe outro lugar no mundo como o Dubai. É a capital da extravagância, no ar “estala” uma mistura volátil de excessos e oportunidades. As estrelas mundiais do ténis: Andre Agassi e Roger Federer foram jogar um jogo amigável - no heliporto do hotel Burj-al-Arab . No Dubai vendem-se telemóveis incrustados com diamantes, a 7.600 € cada; Milhões de pessoas chegam de avião só para fazer compras.

 

No Dubai pode observar-se o singular multiculturalismo de uma cidade onde se pode comer num restaurante italiano dirigido por um egípcio com um chef indiano e garçons filipinos que nos cantam operetas a cada meia hora; Ou ver, ao raiar do dia, um grupo de ingleses sair cambaleando de um pub, enquanto nas ruas ecoa o apelo para a oração matinal dos muçulmanos.

 

Dubai criou um dos mais dinâmicos ambientes empresariais do mundo. "Não são apenas os edifícios, as ilhas, os hotéis, são também as facilidades: a legislação, os regulamentos, o ambiente social liberal." Sem impostos sobre as empresas, pessoa física e jurídica e com um sistema bancário avançadissim e um quadro legal que favorece a propriedade e a iniciativa privada, O Dubai simboliza o lema do xeque Rashid: "O que é bom para os comerciantes é bom para Dubai".

 

O filho do xeque Rashid; Xeque Mohammed, hoje com 57 anos e actual governante de Dubai, é um "modernizador radical", e a mais influente personalidade da Arábia desde o rei Abdulaziz, o homem que na década de 1930 unificou reinos, fundou a moderna Arábia Saudita, aproveitou as reservas de petróleo de seu país para torná-lo num “gigante” do mercado a nivel mundial.

 

Parte II - Dubai, cidade relâmpago.
publicado por: Pangea às 19:39
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Quarta-feira, 13 de Junho de 2007

DUBAI - Cidade Relâmpago I

Um Sonho Febril do Futuro nasce nas areias do Dubai.

DUBAI: Sonho e Realidade Legislação favorável e investimento rápido em infra-estruturas permitiram que a economia se expandisse além do petróleo, Actualmente responsável por apenas 6% do PIB. Os projectos imobiliários ocupam uma extensão cada vez maior do golfo.



 

 

Palmar Jebel Ali – Este Palmar será formado por casas assentes sobre estacas, dispostas de modo a soletrar um poema do xeque Mohammed : “ Aprendam a sabedoria dos sábios... É preciso um homem com visão para escrever sobre a água.”

 

Palmar Jumeirah – Em apenas 72 horas, os compradores “arrebanharam” as casas do primeiro dos três palmares projectados.

 

O Mundo – As 300 ilhas deste arquipélago artificial formarão um mapa do mundo. Ilhas inteiras serão vendidas por um preço médio de 22.8 milhões de Euros.

 

Palmar Deira – Prevê-se que este palmar gigantesco minimize os seus dois predecessores, abrangendo uma área maior do que a cidade do Porto.

 

“Um pescador empilha covos para a pesca, perto do Burj al -Arab , o hotel mais alto do mundo. Num ápice, os governantes da cidade transformaram este antigo porto de pesca num oásis do Médio oriente.”

 

 

“O xeque Mohammed bin Rashid al Maktoum liderou a transformação deste reino: Vilarejo de pescadores em paraíso fiscal e capital mundial reluzente de excessos.”

 

Era uma vez um xeque sonhador. O seu reino, na costa do golfo Pérsico, era composto por uma aldeia adormecida e tórrida, habitada por pescadores, mercadores e apanhadores de pérolas. Eles atracavam os seus dhows e barcos de pesca junto a um ribeiro que serpenteava pelo meio da povoação. Porém onde outros viam apenas um riacho de águas lodosas, o xeque Rashid bin Saeed al Maktoum viu uma estrada para o mundo.


Em 1959, ele pediu muitos milhões de dólares emprestados ao seu vizinho produtor de petróleo, o “rico” Kuweit . Queria dragar o ribeiro, torná-lo mais largo e profundo para facilitar a navegação. Construiu docas e armazéns, projectou estradas, escolas e casas. Enlouqueceu, pensaram alguns. Mas Rashid acreditava no poder da iniciativa. Às vezes, ao amanhecer, ele passeava com o seu filho, o jovem Mohammed , pelas docas e “pintava” no ar, o seu sonho com palavras e gestos. E assim foi. Ele construiu, as pessoas vieram.

 

“Rua do Xeque Zayed (1990) não era mais do que uma extensão desértica. Actualmente as oito faixas de rodagem servem os arranha-céus.”


Seu filho, o xeque Mohammed bin Rashid al Maktoum , hoje governador do Dubai, junto ao riacho construiu os seus próprios sonhos imponentes e transformou a visão original do seu pai num mundo fantástico de arranha-céus iluminados e arejados, habitados por cerca de 1 milhão de pessoas. O “pequeno” Dubai ao estilo de Manhattan, tem agora um porto de classe internacional e gigantescos centros comerciais, livres de impostos aduaneiros. Atrai hoje mais turistas que a Índia, mais navios do que Singapura e mais capital estrangeiro do que muitos países europeus. Pessoas de 150 países foram viver e trabalhar para este território. O Dubai construiu ilhas artificiais, algumas em forma de palmeiras, para alojar os mais ricos. A sua taxa de crescimento económico é de 16% ao ano, quase duplica a da China. As gruas da construção recortam o horizonte, como pontos de exclamação.

 

Dubai é também um raro exemplo de sucesso no Médio Oriente, tão marcado por histórias de fracassos e estagnação. Num momento em que o mundo islâmico se esforça por se adaptar à modernização, vale a pena perguntar se o Dubai representa uma ofuscante anomalia ou um modelo passível de ser copiado por outros países árabes. - É uma questão pertinente.


Parte I - Dubai, cidade relâmpago.

publicado por: Pangea às 21:48
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