Domingo, 12 de Agosto de 2007

CHINA - Cidades Instantâneas IV

Numa fábrica de Lishui, produzem-e milhares de brinquedos. Todos os dias dezenas de pessoas dirigem-se para a cidade à procura de emprego.

“Numa fábrica de Lishui, produzem-se milhares de brinquedos. Todos os dias dezenas de pessoas dirigem-se para a cidade à procura de emprego.

 

O “Modelo Wenzhou”, como se tornou conhecido, difundiu-se por toda a província de Zhejiang, no Sul da China. Embora quase 80% de todos os empresários de Zhejiang tenham cerca de oito anos ou menos de educação formal, a província tornou-se a mais rica da China, de acordo com alguns indicadores económicos. O rendimento per capita tanto na zona rural como na urbana é maior que a das demais províncias chinesas (excluindo as cidades com administração especial, como Xangai e Pequim). Zhejiang reflecte o milagre económico chinês: um país pobre e predominantemente rural que conseguiu tornar-se o mais dinâmico centro fabril do mundo.

Em Zhejiang, quando nos deslocamos pela província, deparamo-nos com a “terra natal” de produtos tão banais que nunca questionamos a sua origem. Para sul pelo litoral, num troço de estrada, a maioria dos “outdoors” anuncia as mais variadas versões de dobradiças. Um quilómetro e meio depois, os anúncios são de tomadas e adaptadores eléctricos. Mais adiante uma área de interruptores, seguida por uma de lâmpadas fluorescentes e por fim uma de torneiras.

Mais para o interior da província, em Qiaotou, a população, embora com 64.000 habitantes, tem 380 fábricas que produzem ali mais de 70% dos botões de roupa fabricados na China.

Na cidade Wuyi, fabrica-se mais de 1 bilião de baralhos de cartas por ano. Em Datang produz-se um terço das meias e peúgas de todo o mundo. Songxia fabrica 350 milhões de guarda-chuvas por ano. As raquetes de ténis de mesa vêm de Shangguan; Fenshui produz canetas; Em Xiaxie fabricam-se brinquedos para crianças e 40% das gravatas do mundo saem de Shengzhou.

 

Tudo se vende em Yiwu. O slogan de Yiwu é: "Um mar de comodidades, o paraíso das compras". Yiwu é um lugar deserto a 161 quilómetros da costa, mas recebe comerciantes de todo o mundo, que ali vão para comprar produtos no “mercado grossista”. Existe a zona dos lenços, um mercado de sacos de plástico, uma avenida onde todas as lojas vendem elásticos. Quando os botões não servirem, uma volta pela rua do Zipper Profissional Binwang poderá ser a solução, a rua do fecho-éclair.

 

A International Trade City, em Yiwu, um centro comercial da cidade, existem mais de 30 mil pontos de venda - se passar um minuto em cada um, oito horas por dia, só sairá de lá dois meses depois. Yiwu atrai tantos negociantes do Médio Oriente que um bairro transformou-se num centro com 23 grandes restaurantes árabes e uma padaria libanesa.


A ponte de Zijin sobre o rio Ou ligará Lishui a uma nova auto-estrada e a fábricas.

"A ponte de Zijin sobre o rio Ou ligará Lishui a uma nova auto-estrada e a fábricas."

 

No passado, Lishui era a única das principais cidades de Zhejiang fora da rota dos “peregrinos”. Ela fica no alto das montanhas, onde o rio Ou é demasiadamente raso para o tráfego de grandes embarcações. Uma espécie de "Tibet de Zhejiang". Naquela paisagem industrial, Lishui é a última fronteira. É a cidade mais pobre da rica província chinesa, mas a nova Auto-estrada está quase concluída, e os investidores estão a mudar-se rapidamente para lá.

 

Parte IV - China, cidades instantâneas.

publicado por: Pangea às 23:33
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Quarta-feira, 13 de Junho de 2007

CHINA - Cidades Instantâneas III

... e as casas erguem-se como cogumelos num complexo residencial em Lishui, uma cidade de média dimensão que floresce.

" ... e as casas erguem-se como cogumelos num complexo residencial em Lishui, uma cidade de média dimensão que floresce."


Um mar de produtos


Na livraria do aeroporto de Wenzhou destaca-se um livro intitulado "Ninguém Entende Realmente o Povo de Wenzhou". Na mesma prateleira encontramos: "O Temido Povo de Wenzhou"; "Segredos para Ganhar Dinheiro, do Povo de Wenzhou"; e "As Jóias do Oriente": "as Histórias Comerciais de 50 Empresários de Wenzhou". Os chineses andam fascinados por essa parte da província de Zhejiang, e a imprensa local contribui para a lenda. A revista Fortune Weekly de Wenzhou publicou um perfil dos milionários locais. Uma das perguntas era: se você fosse forçado a escolher entre o seu negócio e a sua família, com qual ficaria? Quase 60% escolheram o negócio e 20% a família. O restante permaneceu indeciso.


Desde o princípio, o desespero impulsionou a tradição empresarial de Wenzhou. A região tinha pouco solo arável, e o terreno montanhoso era um obstáculo para construir boas estradas para o interior. Com poucas alternativas, os habitantes voltaram-se para o mar, e, no século XVII, no final do período da dinastia Ming, já tinham desenvolvido uma forte cultura comercial. Foram no entanto perdendo alguma vantagem em 1949, quando os comunistas tomaram o poder, e cortaram as ligações marítimas com o exterior extinguindo a iniciativa privada. Mesmo no inicio da década de 1980, quando as reformas de mercado livre de Deng Xiaoping começaram a vingar, Wenzhou tinha algumas desvantagens: os seus habitantes não tinham formação como os de Pequim, e não atraíam o investimento estrangeiro como Xangai. Quando o governo criou a primeira Zona Económica Especial, cujos privilégios comerciais e fiscais destinados a promover o crescimento, escolheu Shenzhen, próximo de Hong Kong.


No entanto Wenzhou possuía um inestimável capital: o instinto comercial do seu povo. As famílias abriram minúsculas oficinas, muitas com menos de 12 trabalhadores, para fabricar produtos simples. Com o tempo, as oficinas cresceram e transformaram-se em fábricas, e Wenzhou passou a dominar certos ramos e com pouca tecnologia. Hoje em dia, um quarto de todo o calçado comprado na China vem de Wenzhou. A cidade fabrica 70% dos isqueiros usados no mundo. Mais de 90% da economia de Wenzhou é privada.

 

Parte III - China, cidades instantâneas.

publicado por: Pangea às 23:09
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Domingo, 10 de Junho de 2007

CHINA - Cidades Instantâneas II


... entretanto O solo cultivado vai desaparecendo.

"... entretanto O solo cultivado vai desaparecendo."

Wang e Gao - os Senhores dos Anéis (continuação)


No primeiro andar juntaram-se mais um empreiteiro e um ajudante. Não havia arquitecto nem projectista, e ninguém trouxera régua ou fio-de-prumo. O Patrão Gao começou a distribuir cigarros da marca 555. Tinha 33 anos, cabelo à escovinha e um semblante nervoso que piorava quando o seu tio andava por perto. Depois de todos acenderem os cigarros, o jovem pegou numa caneta e num pedaço de papel que tirou da sua mala que trazia a tiracolo.

 

Primeiro, desenhou as paredes exteriores da sala. Depois, começou a projectar; cada traço representava uma parede a construir, e a fábrica começou a tomar forma aos nossos olhos. Desenhou duas linhas no canto sudoeste: a futura sala das máquinas. Contíguo a ela, um laboratório de química, seguido de um armazém e de uma sala das máquinas secundária. O Patrão Wang, seu tio, analisou a página e calmamente observou: "Não precisamos dessa sala".

Conferenciaram um pouco e resolveram riscar a sala da planta. Em 27 minutos concluíram o projecto do piso térreo. Passamos ao andar de cima. Mais cigarros. O Patrão Gao virou o papel e preparou-se para desenhar.

”Isto é muito pequeno para um escritório.” Em 23 minutos, projectaram um escritório, um átrio e três salas de visita para os gerentes da fábrica. No andar de cima, os dormitórios dos trabalhadores levaram-lhes mais 14 minutos a projectar. Ao todo, elaboraram a planta de uma fábrica de 2 mil metros quadrados, de cima a baixo, em uma hora e quatro minutos. Gao entregou o pedaço de papel com as plantas ao empreiteiro. O homem perguntou-lhes para quando queriam o orçamento.

"Que tal hoje à tarde?" O empreiteiro olhou o relógio. Eram 15h48. "Não consigo fazer assim tão rápido", respondeu. "Tudo bem; então amanhã de manhã", conformou-se o Patrão Gao.

Discutiram sobre os materiais: tinta, cimento, areia. "Queremos as portas de 10 dólares" (7.36 €), disse o Patrão Wang ao empreiteiro, que era natural de Lishui. "E não tente enganar-nos usando material mais barato. Faça um bom trabalho agora, e nós voltamos a contrata-lo. É assim que se ganha dinheiro em Wenzhou. Entendeu?"

Parte II - China, cidades instantâneas.

publicado por: Pangea às 20:43
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Sábado, 9 de Junho de 2007

CHINA - Cidades Instantâneas I


Na “auto-estrada” do progresso, a China ignora os  limites de velocidade. As Cidades multiplicam-se pelo mapa do país, como um vírus  cartográfica contagiante. Um repórter e um fotógrafo registram meses desse frenesim empresarial.


Cidades imparáveis -  Para  criar  uma zona fabril com 14.5Km2, os Eng.os arrasaram 108 cumes de montanhas. Com o objectivo de duplicar a população de Lishui até 2020, alcançando meio milhão de habitantes, os responsáveis pelo planeamento urbano tencionam abrir uma segunda zona de desenvolvimento, a exemplo de muitas outras cidades chinesas. 

"Cidades imparáveis -  Para  criar  uma zona fabril com 14.5Km2, os Eng.os arrasaram 108 cumes de montanhas. Com o objectivo de duplicar a população de Lishui até 2020, alcançando meio milhão de habitantes, os responsáveis pelo planeamento urbano tencionam abrir uma segunda zona de desenvolvimento, a exemplo de muitas outras cidades chinesas."

 

Wang e Gao - os Senhores dos Anéis

 

Às 14h30, os Patrões começaram a projectar a fábrica. O edifício de três andares arrendado estava completamente vazio: paredes brancas, piso livre, porta da frente sem fechadura. Entrava-se e saía-se à vontade. A mesma liberdade verificava-se em todo o resto da Zona de Desenvolvimento Económico de Lishui . Os edifícios vizinhos também eram invólucros vazios, e ladeavam uma rua de terra batida que apontava para uma auto-estrada inacabada. Painéis para outdoors reflectiam o céu, vazios, anunciando apenas a luz do Sol de fim de Outubro .

Wang Aiguo e Gao Xiaomeng tinham percorrido de automóvel os 128 quilómetros desde Wenzhou , cidade na costa sudeste da China. Eram parentes, tio e sobrinho, e chegaram a Lishui para montar um novo negócio. "Toda esta área acaba de ser aberta", explicou Gao quando se encontrava junto à porta da fábrica. Wenzhou já foi assim, mas agora, lá está muito caro, ainda mais para uma firma pequena. Um lugar como este hoje é melhor."

Parte I - China, cidades instantâneas.

 

publicado por: Pangea às 15:05
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