Quinta-feira, 2 de Agosto de 2007

As "primas" do mestre-de-obras, e... as Obras-Primas do Mestre...

 

... Marcus Vitruvius Pollio ou Marcos Vitrúvio Polião (c. 70 - 25 a. C.) Arquitecto, Engenheiro, Agrimensor e Pesquisador Romano, compilou conhecimentos sobre hidráulica existentes à época, inspirados principalmente na literatura grega, escrevendo a obra De Architectura, que constitui o único tratado europeu do período greco-romano, dedicando-a ao Imperador Augusto, que viria a influenciar, séculos mais tarde, as concepções estéticas renascentistas.

Os seus padrões de proporções e os seus princípios Arquitecturais: utilitas, venustas e firmitas (utilidade, beleza e solidez), "inauguraram" a base da teoria classicista.

Projectou e construiu várias rodas d’água para accionamento de dispositivos mecânicos rudimentares. Também se notabilizou como autor de obras sobre arquitectura baseadas na sua própria experiência e em trabalhos teóricos de arquitectos gregos como Hermógenes. Para ele, as partes de um edifício deviam observar as relações harmónicas similares às existentes nas proporções do corpo humano.

No seu livro De Architectura (27 a. C.), de (10) dez volumes e redescoberto na abadia de Monte Cassino (1420), forneceu valiosas informações aos arquitectos "do quattrocento" italianos. Os primeiros sete volumes abordavam questões técnicas e estéticas ligadas directamente à Arquitectura. Falam sobre Urbanismo, princípios teóricos gerais, ordens gregas, decoração, construção de templos, edifícios públicos e privados. O volume oito tinha o título de "De aquae inventionibus" e tratava essencialmente sobre obras hidráulicas. Os dois últimos volumes tratam respectivamente de Astronomia e construção de relógios solares, além de maquinaria civil e militar. Publicado em italiano pela primeira vez (1486), De Architectura foi mais tarde traduzido para as principais línguas ocidentais. A obra foi considerada fundamental em matéria de arquitectura clássica antiga até o século XIX.


O Homem Vitruviano, de Leonardo da Vinci. As ideias de proporção e simetria aplicadas à anatomia humana. O Homem Vitruviano e as suas proporções.”

 

Idade Média
Existe uma teoria, que diz que Vitrúvio caiu no esquecimento durante a Idade Média. Essa teoria é considerada por muitos falaciosa, apesar das precárias circunstâncias de preservação e distribuição dos seus textos, o que dificulta qualquer afirmação a respeito do assunto.

De Architectura

Actualmente há mais de 80 manuscritos conhecidos sobre o “De Architectura”, porém, pouquíssimos apresentam as ilustrações originais executadas pelo próprio Vitrúvio, sendo que, mesmo na presença delas, restam dúvidas quanto à sua fidelidade relativamente às originais. A principal evidência da influência dos textos de Vitrúvio durante a Idade Média são as igrejas, construídas seguindo muitos princípios descritos pelo autor, que nunca descreveu igrejas especificamente, mas templos e basílicas, nos quais os Arquitectos da Idade Média  podiam ter-se, eventualmente, baseado.

Um importante facto que ajudou no processo de “esquecimento” da obra de Vitrúvio durante a Idade Média foi a falta de formação académica dos Arquitectos, pois a Arquitectura era classificada como uma espécie de artesanato, que deveria ser aprendida através da prática com Arquitectos experientes.

Uma outra possível explicação para a quase inexistência de evidências da influência de Vitrúvio na Idade Média é o facto de que, com o período da Arquitectura Gótica, Vitrúvio poderia ter deixado de ser uma referência, já que não apresenta referências, no seu “De Architectura”, relativamente a abóbadas ou arcos, características do período Gótico.

Provavelmente, a mais importante influência deixada por Vitrúvio para a Idade Média é o estudo e descrição da Arquitectura.


Vitruvio en castaneda1521 Cesare Cesariano, Análise geométrica da Catedral de Milão, Desenhos analíticos da Catedral de Milão, com base nos princípios teóricos formulados por Vitruvio. Ilustração de um mecanismo para captura de água para o o livro De Architectura.”

publicado por: Pangea às 23:32
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Segunda-feira, 30 de Julho de 2007

As "primas" do mestre-de-obras, e... as Obras-Primas do Mestre...

 

... Ildefons Cerdà i Sunyer (Sant Martí de Centelles, 23 de Dezembro de 1815 - Caldas de Besaya, 21 de Agosto de 1876) foi um Engenheiro, Urbanista e Político Catalão responsável pelo Plano de extensão e reforma da cidade de Barcelona (Plan de Ensanche). Formou-se em Ingeniería de Caminos em Madrid no ano de 1841. Um dos fundadores do Urbanismo moderno.

Entre 1833-1835 seguiu os cursos de Desenho, Arquitectura e Matemática em Barcelona. Em 1835, muda-se para Madrid para estudar no Colegio de Ingenieros de Caminos, onde se forma em 1841. Entre 1841 e 1846, trabalhou em diversos projectos de construção de estradas. Em 1844 observa pela primeira vez o funcionamento de uma linha de caminho-de-ferro, facto que o deixa bastante impressionado. Passa a dedicar-se ao estudo das cidades, principalmente aquelas que serão servidas pelo sistema ferroviário.

Durante os anos 50, Cerdà começa seus estudos sobre a cidade de Barcelona e a sua ensanche (extensão). A cidade estava então limitada pelas muralhas antigas, que outrora a protegeram, mas começavam então a impedi-la de crescer. Em 1854, o governo decide oficialmente derrubar as muralhas, o que facilitaria na realização de um novo plano para a cidade.

O Plano Cerdà de extensão da cidade de Barcelona foi finalmente aprovado em Maio de 1860, após concurso realizado em 1859. Em 1859 Cerdà prepara a sua "Teoria da construção das cidades", uma versão revista e ampliada, a partir da teoria apresentada na memória de seu plano. Em 1860 recebe uma autorização para um estudo sobre o desenvolvimento e extensão da cidade de Madrid, (onde recentemente havia sido aprovado um outro plano de extensão, o Plan Castro). A sua "Teoria da viabilidade urbana" (resultado deste estudo) é publicada em 1861.

Em 1867 Cerdà publica o seu estudo mais notável - a "Teoria Geral da Urbanização" onde reformula e aperfeiçoa as suas teorias anteriores. Este estudo é considerado por alguns como o primeiro tratado moderno de Urbanismo.

Apesar de nunca ter usado o termo urbanismo, Cerdà usou o termo urbe para se referir de um modo geral às cidades e urbanização (urbanización) para designar a acção sobre a urbe. Destes termos muito próximos surgirá o nome Urbanismo no início do século XX.

Cerdà publicou extensos estudos sobre as cidades de Barcelona e Madrid, que incidiam sobre os mais diversos aspectos da cidade; indo desde questões técnicas (como a análise da rua e seus sistemas de infra-estruturas) até questões teóricas e territoriais, (como a ligação das cidades numa grande rede nacional).
O Plano de Extensão (Ensanche) de Barcelona é considerado a principal obra de Ildefons Cerdà. Em 1855 uma comissão da qual Cerdà faz parte, inicia os estudos de um plano de extensão para a cidade.
O principal objectivo do plano foi o de aumentar a área total da cidade, permitindo a sua expansão para além dos limites da antiga muralha, e permitir uma alternativa mais ordenada das ruas e dos quarteirões, em comparação com a "trama" confusa do centro histórico de Barcelona. A contenção da cidade nestes limites (da muralha) havia aumentado grandemente a sua densidade e criado problemas de comunicação com o exterior.

A base do plano é um sistema de vias e quarteirões que poderia estender-se indefinidamente, à medida que a cidade fosse crescendo. Cerdà cria uma hierarquia viária onde as pequenas ruas "desaguam" nas ruas maiores, que por sua vez "desaguam" nas grandes avenidas. Para explicar este conceito hierárquico, Cerdà utiliza a analogia dos pequenos rios desaguando nos rios cada vez maiores e mais largos. Cerdà define claramente desta forma o sistema viário, bem como os quarteirões e os espaços contidos entre as vias. Assim, reforça a noção de que os quarteirões e vias formam uma estrutura única e inter-dependente.

O Plano é hoje conhecido principalmente pela sua representação gráfica com a sua quadrícula característica. Esta, no entanto, é mal compreendida e vista como uma grelha simples, que se estende a partir dos limites da cidade antiga. O plano apresenta um sistema completo que distribui parques, indústria, comércio e residências de forma equilibrada. As avenidas principais formam estruturas que coordenam a expansão dos quarteirões.

Os quarteirões, actualmente estão preenchidos em todos os seus lados, embora tivessem sido idealizados como quarteirões abertos, que permitiam um maior fluxo de pessoas e de ar pela cidade, ou ainda com a possibilidade de serem preenchidos por áreas verdes.

Tão importante quanto os desenhos é, também, o sistema teórico desenvolvido por Cerdà e apresentado na memória da proposta:

 

-A cidade funciona em torno do duplo conceito: movimento e repouso;
-A rua deve fornecer redes de infra-estruturas, permitir o transporte e possibilitar a circulação do ar e iluminação das casas;
-O conceito de hierarquia do sistema viário representa a importância do quarteirão e das próprias vias, na estrutura da cidade;
-O sistema de transportes é um elemento fundamental para o funcionamento da cidade;
-O plano deve possibilitar a expansão ilimitada da cidade;
-Deverá haver uma "ligação" entre a cidade antiga e a nova zona de expansão.

 

Cerdà. Vista aérea de Barcelona. Plano de Cerdà para Barcelona.”

publicado por: Pangea às 23:55
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Quinta-feira, 26 de Julho de 2007

As "primas" do mestre-de-obras, e... as Obras-Primas do Mestre...

 

... Imhotep misto de Arquitecto, Médico e Mago. Os antigos egípcios deificaram-no, identificando-o com Esculápio, Deus da medicina. É o primeiro Arquitecto cujo nome, é conhecido por meio de documentos históricos escritos. Viveu no século XXVII a.C., tendo sido vizir ou ministro-chefe de Djoser, o segundo rei da terceira dinastia egípcia.

Imhotep arquitectou uma das maiores pirâmides do Egipto - a pirâmide de Sakara, com seis enormes degraus, e que atinge aproximadamente 62 metros.

O estudioso britânico Sir. William Osler (séc. XIX) disse sobre Imhotep: - a primeira figura de um médico a surgir claramente das "névoas" da antiguidade.

Nos filmes, Imhotep é o antagonista da série de filmes "A Múmia" e "O Regresso da Múmia", nos quais obtém a reencarnação por meio de antigos rituais egípcios e, assim, desencadeia uma série de desventuras para os protagonistas da história. É importante, porém, lembrar que a "figura" maligna e vingativa apresentada no filme, em relação a Imhotep não é de modo algum real e não tem correspondência histórica.

 

“Figura e Estátua de Imhotep. A pirâmide de Sakara, com seis enormes degraus.”

publicado por: Pangea às 23:48
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Domingo, 22 de Julho de 2007

As "primas" do mestre-de-obras, e... as Obras-Primas do Mestre...


... Senemut era um Arquitecto da 18ª Dinastia do Egipto (Séc. XVI a.C).

Senemut nasceu no seio de uma família provincial letrada. Filho de Ramose e Hatnofer de Iuni.

Em virtude dos seus pais terem sido enterrados no mesmo túmulo, dá-nos algumas informações sobre a vida desta personalidade, nomeadamente o facto de não ter pertencido à realeza.

Alguns egiptólogos pensam que Senemut começou por desempenhar as suas funções no reinado de Tutmósis I, sendo mais provável ter sido durante o reinado de Tutmósis II, ou... quando Hatshepsut estava no poder.

Depois de Hatshepsut ter sido coroada, foram atribuídos a Senemut cargos mais importantes, tendo sido inclusive promovido a vizir.

Senemut chefiou o transporte dos materiais para duas "colunas" gémeas da entrada do Templo de Karnak, bem como a sua construção. Actualmente, uma delas continua de pé.

A obra mais grandiosa de Senemut foi o Templo de Hatshepsut em Deir el-Bahri. Foi construído na margem direita do Nilo à entrada do Vale dos Reis. Djeser-Djeseru, uma estrutura de colunas do Templo e harmoniosamente concebida, foi desta forma um dos seus projectos mais ambiciosos. Djeser-Djeseru é constituído por uma sobreposição de terraços enormes adornados com múltiplos jardins. Este monumento é considerado por muitos um dos maiores empreendimentos da Antiguidade, constitui uma visão impressionante, tendo sido talhado parcialmente na rocha, e a visão do mesmo funde-se na grandeza da encosta calcária que lhe serve de apoio.

Não se sabe onde Senemut foi sepultado. Foram-lhe construídos dois túmulos, um em Luxor e outro junto a Deir el-Bahri, perto do Templo de Hatshepsut. Ambos os túmulos foram vandalizados durante o reinado de Tutmósis III, numa "campanha" de difamação e profanação à memória da antiga rainha Hatshepsut.

 

“Duplo Retrato de Senemut. Djeser-Djeseru, Templo de Hatshepsut em Deir el-Bahri.”

publicado por: Pangea às 23:47
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Segunda-feira, 16 de Julho de 2007

As "primas" do mestre-de-obras, e... as Obras-Primas do Mestre...


... Villard de Honnecourt nasceu em Honnecourt-sur-Escaut perto de Cambrai - França.

Foi um conhecido mestre-de-obras do séc. XIII, célebre devido aos documentos que deixou, com projectos arquitectónicos, actualmente “guardados” na Biblioteca Nacional da França.

Como qualquer “obreiro” do seu tempo, fez a sua aprendizagem, passando de terra em terra (os principais locais pelos quais passou e trabalhou: Laon; Chartres; Lausanne), de estaleiro em estaleiro para aprender o seu ofício.

Veio a tornar-se mais tarde em magister latomus (mestre-de-obras). Nessa época – Idade Média, a profissão também envolvia o trabalho do arquitecto.

Os documentos/projectos escritos, têm uma dimensão de 14x22 cm e eram compostos por uma centena de páginas. Actualmente, apenas um pouco mais de sessenta folhas subsistem. Essas páginas contêm uma série de projectos acompanhados com uma pequena legenda.

 

Desenho da Catedral de Reims, Villard de Honnecourt.Interior e tecto em abóbada de arestas quadripartida na nave da Catedral de Reims em França.

publicado por: Pangea às 23:33
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